Quarto Escuro de Goethe

Quarto Escuro de Goethe é um projeto de cruzamento disciplinar que investiga as relações entre arte, ciência e pensamento. Desenvolvido pela artista Eunice Gonçalves Duarte, o projeto recria e atualiza as experiências empíricas de Johann Wolfgang von Goethe descritas em Teoria das Cores, onde o autor propõe que a cor nasce no limite entre a luz e a sombra, revelando-se através da experiência direta e da “intuição primeira”.

Tal como Goethe procurou “alcançar” Newton ao refazer as experiências apresentadas em Opticks — em especial a decomposição da luz branca no espectro visível — também a artista se aproxima dessas investigações para explorar as tensões e possibilidades que emergem entre os dois paradigmas.

Este gesto serve de ponto de partida para uma investigação artística através da prática, dedicada a explorar as fronteiras entre o visível e o invisível, e a compreender como a perceção é moldada pela presença ou ausência de luz, pelo posicionamento do observador e pela metamorfose das formas no espaço.

O projeto convoca ainda um conjunto de cientistas e pensadores para revisitar Teoria das Cores e aprofundar temas como a decomposição da luz branca, o espectro invisível e a proposta morfológica de Goethe enquanto alternativa ao método analítico aplicado aos fenómenos naturais.

Quarto Escuro de Goethe integra várias atividades:

  • performance-instalação
  • dispositivo instalativo
  • podcast
  • workshops

A performance-instalação de Quarto Escuro de Goethe desenvolve-se no interior de um dispositivo octogonal criado para estudar e tornar visíveis diferentes modos de propagação da luz no espaço. Esta estrutura funciona como um ambiente controlado onde é possível testar como a luz se comporta ao encontrar superfícies, permitindo observar fenómenos descritos por Goethe em Teoria das Cores e colocá-los em diálogo com os estudos de Newton sobre a decomposição da luz branca no espectro visível da cor.

No dispositivo, a luz é tratada como matéria ativa: varia de intensidade, muda de direção, dispersa-se, é bloqueada ou filtrada. Estas transformações produzem efeitos visuais que alteram a forma como o público percebe os corpos dos performers, a geometria do espaço e os limites entre visível e invisível. A dramaturgia constrói-se a partir desta relação direta entre luz, sombra e movimento.

A performance decorre em ciclos contínuos de aproximadamente 20 minutos, com entrada faseada do público em pequenos grupos de 3 pessoas. Este formato permite uma experiência próxima da observação laboratorial: cada espectador pode acompanhar como pequenas alterações no ângulo de incidência da luz, na posição dos performers ou na sua própria localização geram diferenças significativas no modo como o fenómeno é percebido.

A composição sonora de Nick Rothwell, em colaboração com os performers Beatriz Boleto e Gonçalo Silva, funciona como extensão do dispositivo, reforçando o carácter experimental da proposta e ampliando a perceção sensorial do espaço. No seu conjunto, a performance-instalação constitui um ambiente imersivo de observação, onde a arte serve como ferramenta para questionar como vemos, o que vemos e como os objetos de transformam diante dos olhos.

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